TEA & Aprendizagem

Autismo na adolescência:
desafios de aprendizagem e organização escolar

Aprendizagem, organização escolar, planejamento e autonomia durante a adolescência.

Christiane Mermerian
Christiane Mermerian
Psicopedagoga Clínica

O autismo na adolescência pode trazer desafios relacionados à aprendizagem, organização escolar, planejamento, autonomia e adaptação às novas exigências acadêmicas. Nessa fase, o aumento das responsabilidades, a troca de professores, a quantidade de disciplinas e a necessidade de administrar provas, trabalhos e prazos podem tornar algumas dificuldades mais perceptíveis.

Por que a adolescência pode trazer novos desafios?

A adolescência é uma fase marcada por mudanças importantes na vida escolar.

À medida que o aluno avança nos anos escolares, espera-se que ele desenvolva maior autonomia para acompanhar diferentes disciplinas, organizar materiais, cumprir prazos, estudar para avaliações e administrar uma rotina cada vez mais complexa.

Para o adolescente com Transtorno do Espectro Autista (TEA), algumas dessas demandas podem exigir estratégias específicas de organização e aprendizagem.

Isso não significa que todos os adolescentes autistas apresentarão as mesmas dificuldades. Cada estudante possui características, habilidades, necessidades e formas próprias de aprender.

Quais dificuldades podem aparecer na rotina escolar?

Algumas situações podem se tornar mais frequentes ou mais evidentes durante a adolescência, como:

Observar em quais situações essas dificuldades aparecem ajuda a compreender melhor as necessidades daquele adolescente.

Organização escolar e funções executivas

A rotina escolar depende de diversas habilidades relacionadas às Funções Executivas.

Planejar um trabalho, lembrar uma data de prova, separar o material necessário, iniciar uma tarefa, acompanhar etapas e perceber quanto tempo será necessário para concluí-la são exemplos de ações presentes diariamente na vida do estudante.

Quando existem dificuldades nessas habilidades, o adolescente pode compreender o conteúdo e, mesmo assim, encontrar problemas para administrar sua rotina acadêmica.

Por isso, baixo rendimento ou atividades não entregues nem sempre significam falta de interesse pelos estudos.

A importância da previsibilidade

Para alguns adolescentes autistas, saber antecipadamente o que acontecerá pode favorecer a organização.

Calendários, agendas, cronogramas e recursos visuais podem ajudar a tornar as demandas escolares mais claras.

Uma semana com provas e trabalhos, por exemplo, pode ser organizada visualmente para que o estudante consiga identificar:

O objetivo não é criar uma rotina rígida, mas oferecer referências que ajudem o adolescente a compreender e administrar suas responsabilidades.

Dividir tarefas pode facilitar a execução

Uma atividade extensa pode parecer difícil quando apresentada como uma única tarefa.

Um trabalho escolar, por exemplo, pode ser dividido em pequenas etapas:

  1. compreender a proposta;
  2. pesquisar o tema;
  3. selecionar as informações;
  4. organizar o conteúdo;
  5. produzir o trabalho;
  6. revisar;
  7. entregar.

Essa divisão permite visualizar melhor o caminho até a conclusão da atividade e acompanhar o que já foi realizado.

Mudanças na rotina escolar

Troca de professores, alterações de horário, trabalhos em grupo, semanas de provas, apresentações e mudanças inesperadas fazem parte da vida escolar.

Alguns adolescentes autistas podem precisar de mais tempo ou apoio para lidar com essas situações.

Quando possível, antecipar mudanças e explicar claramente o que acontecerá pode contribuir para que o estudante se prepare para a nova situação.

Autonomia precisa ser construída gradualmente

Na adolescência, é natural que família e escola esperem maior independência.

Mas autonomia não significa simplesmente deixar o adolescente responsável por tudo de uma hora para outra.

Ela pode ser construída progressivamente.

Em vez de organizar a mochila pelo adolescente, por exemplo, os responsáveis podem ajudá-lo inicialmente a criar uma lista dos materiais necessários. Com o tempo, essa responsabilidade pode ser transferida para ele.

O mesmo princípio pode ser aplicado à agenda, aos horários de estudo e ao acompanhamento de provas e trabalhos.

O papel da escola

A escola pode contribuir observando como o adolescente responde às diferentes situações de aprendizagem.

É importante perceber:

Essas informações ajudam a construir estratégias mais adequadas às necessidades do estudante.

Como a Psicopedagogia pode ajudar?

O Acompanhamento Psicopedagógico do adolescente autista pode partir da compreensão de como aquele estudante aprende e de quais dificuldades estão interferindo em sua rotina escolar.

O trabalho pode envolver estratégias relacionadas à:

Não existe uma única estratégia adequada para todos os adolescentes.

O acompanhamento precisa considerar as características individuais do estudante, sua rotina, sua história escolar e as demandas presentes naquele momento.

Família, escola e Psicopedagogia

Quando existe diálogo entre família, escola e profissionais que acompanham o adolescente, torna-se possível compreender melhor as dificuldades observadas em diferentes contextos.

Uma estratégia que funciona no acompanhamento psicopedagógico pode ser adaptada para a rotina de casa ou da escola.

Da mesma forma, informações trazidas pelos professores e pela família ajudam a compreender como o adolescente está lidando com suas responsabilidades acadêmicas.

Quando procurar uma Psicopedagoga?

O acompanhamento pode ser considerado quando as dificuldades de aprendizagem ou organização começam a interferir de maneira recorrente na vida escolar.

Esquecimento frequente de atividades, dificuldade para acompanhar prazos, desorganização dos materiais, dependência constante dos responsáveis para estudar ou dificuldade para administrar as demandas escolares são alguns sinais que podem justificar uma avaliação psicopedagógica.

Conclusão

O autismo na adolescência pode envolver desafios de aprendizagem e organização escolar que se tornam mais evidentes conforme aumentam as exigências acadêmicas.

Compreender como o adolescente aprende, identificar suas dificuldades e desenvolver estratégias adequadas à sua realidade pode favorecer sua participação na vida escolar e a construção gradual da autonomia.

Mais do que fazer as tarefas pelo adolescente, o objetivo é ajudá-lo a desenvolver recursos para compreender, organizar e administrar cada vez melhor a própria rotina acadêmica.

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